Governança Corporativa

Governança Corporativa é um precioso sistema de gestão estrutural e normativo estabelecido por acionistas e controladores, separando quem detém a propriedade da empresa de quem detém a gestão da empresa, organizando e otimizando o processo decisório, determinando sobre a alocação de recursos e visando reduzir os conflitos de interesse para que a empresa seja vista como confiável, elevando assim seu grau de investimento, criando valor e perpetuando-a no longo prazo. Isso tudo faz da Governança Corporativa um dos mais novos e importantes pilares da arquitetura econômica global e um instrumento determinante da sustentabilidade das empresas. É crucial para as sociedades empresárias no atual estágio do mercado financeiro obter uma estrutura de governança, pois por meio dela as organizações estabelecem um conjunto de mecanismos econômicos e legais com o objetivo de proteger os seus interesses, inclusive, para a mitigação de riscos (compliance), credibilidade e sucessibilidade.

No Brasil, com os movimentos de abertura de capital (IPO) e a criação de níveis diferenciados para listagem das empresas na Bolsa de Valores – BM&F BOVESPA (Nível 1, Nível 2, Novo Mercado), a adoção de boas práticas de governança tornou-se um dos requisitos básicos exigidos pelos investidores e instituições do mercado. Com o objetivo de examinar as questões centrais de governança e compreender os processos que a envolvem, é preciso ter foco nos grandes temas que são objetos de análise, reflexão e regulação.

Isso porque o ambiente da alta gestão estratégica das organizações destaca a importância dos princípios de governança, responsabilidades dos órgãos, do processo decisório, da arquitetura de governança, dos vieses comportamentais que interferem nas decisões, bem como da adoção e aplicação das boas práticas de governança corporativa reconhecidas pelo mercado, da ética na geração de valor aos acionistas, cotistas e demais stakeholders de uma empresa. Considerando que a estrutura das operações de grandes empresas e instituições é um complexo sistema organizacional, que engloba aspectos diretivos, de controle, de monitoramento e de incentivos nas relações internas e externas com seus processos de gestão, para tal é preciso trazer a constante necessidade evolutiva de governança.

Portanto, a governança apresenta as boas práticas a serem adotadas pela corporação, de modo a aumentar o seu valor, facilitando o acesso ao capital e garantindo a sua continuidade. Por exemplo, a criação/existência de uma área de Relações com Investidores é considerada não somente uma boa prática, mas sim uma condição extremamente relevante para a Governança Corporativa, uma vez que essa define a relação com todas as partes relacionadas, inclusive com investidores. Dentre os quatro princípios fundamentais de governança (transparência, equidade, accountability/prestação de contas e responsabilidade corporativa), o princípio da equidade caracteriza-se pelo tratamento justo de todos os sócios e demais partes interessadas (stakeholders). Atitudes ou políticas discriminatórias, sob qualquer pretexto, são totalmente inaceitáveis. O papel dos agentes com interesses relevantes na governança corporativa (stakeholders) é o reconhecimento dos direitos dessas partes interessadas que estejam previstos em lei ou em acordos mútuos, encorajando uma cooperação ativa entre ambos, visando a criação de riqueza, emprego e prosperidade.

Falar em Governança Corporativa remete a outro tema de extrema importância para as organizações: Sustentabilidade. A partir do tripé de Sustentabilidade (Ambiental, Social, Econômico), os elementos se relacionam de forma interdependente, se inserindo na estrutura de governança e trazendo perenidade para a cia.

Uma arquitetura/estrutura ideal de Governança Corporativa deveria englobar as seguintes esferas: Assembleia Geral, Conselho de Administração, Conselho Fiscal, Conselho Consultivo, e Comitês diversos (Riscos e Crises, Ética e Transparência, Auditoria, Sustentabilidade, etc.), cada uma com períodos de mandatos definidos pelas próprias organizações:

  • Assembleia Geral: órgão soberano da companhia, que decide sobre os principais assuntos do exercício, bem como a validação e o planejamento estratégico, composto por todos os conselheiros e acionistas. As reuniões ordinárias (AGO) ocorrem uma vez por ano e as extraordinárias (AGE) sempre que for necessário.
  • Conselho de Administração: órgão de orientação estratégica dentro da arquitetura de Governança Corporativa, atuando de forma independente na gestão/execução e monitorando os riscos do negócio. Composto pelo maior número possível de conselheiros independentes.
  • Conselho Consultivo: órgão de suporte às decisões do Conselho de Administração, composto por membros altamente qualificados tecnicamente.
  • Conselho Fiscal: órgão de fiscalização dos acionistas/cotistas, respaldando, fiscalizando e assegurando a veracidade das demonstrações contábeis e financeiras. Composto por contadores e executivos de finanças.
  • Comitê de Sustentabilidade: órgão técnico de amparo às decisões do Conselho de Administração, que opina sobre o tripé Social, Ambiental e Financeiro.
  • Comitê de Riscos e Crises: órgão técnico que opina sobre a matriz de riscos da empresa e análise de cenários de crise.
  • Comitê de Ética e Transparência: órgão técnico que opina sobre as questões de ética e compliance da companhia.
  • Comitê de Auditoria: órgão de suporte técnico ao Conselho Fiscal que emite opiniões sobre os demonstrativos e processos da organização. Composto por membros qualificados em contabilidade e finanças, que dão segurança aos shareholders.
  • Executivos ‘C-Level’ e Corpo Diretivo: responsáveis pela gestão executiva do negócio.

Existem ainda os modelos de Governança Corporativa que são amplamente adotados pelas corporações no mundo inteiro, cada qual com seus padrões, nuances e especificidades. São eles: Anglo-Saxão, Alemão, Japonês, Francês e Latino-Americano. Seguem:

  • Modelo Anglo-Saxão: A principal fonte de recursos vem do mercado de capitais (capital pulverizado) e a propriedade e gestão estão dissociadas.
  • Modelo Alemão: A principal fonte de renda é o crédito bancário de longo-prazo e as instituições bancárias e acionistas exercem grande poder na propriedade e gestão.
  • Modelo Japonês: semelhante ao Alemão, onde os bancos também são a principal fonte de financiamento das empresas (mercado de capitais bem desenvolvido). A propriedade e a gestão são sobrepostas, havendo um consenso entre ambas.
  • Modelo Francês: Indefinido quanto ao financiamento, remetendo a um controle e alta concentração acionária, mas semelhante ao Japonês, havendo sobreposição entre propriedade e gestão, onde os conselhos atuam com função consultiva.
  • Modelo Latino-Americano: O financiamento vem de dívidas bancárias e a gestão é exercida pelos acionistas majoritários, onde o Brasil se insere.

Comentários e Links

Questionados(as) sobre suas rotinas, afazeres e insights, alguns profissionais de RI enviaram as respostas conforme suas experiências e percepções sobre a área, fornecendo dicas valiosas e importantes sobre RI. Eis o que eles(as) disseram:

“Infelizmente ainda é uma área pouco explorada no Brasil, o que pode ser bom, mas reduz as opções de cursos e treinamentos. No Brasil, que eu conheça, existia uma pós e uns cursos de curta duração na FIPECAFI. O pessoal da Donnelley Financial Solutions também oferecia alguma coisa. É interessante também acompanhar o site do IBRI, que inclusive divulga vagas e promove treinamentos e eventos.”

“Olha, acho que a chave é estar muito por dentro do que você vai vender e ter boas habilidades de negociação/relacionamento mesmo. Então de leitura e curso acho que seria isso… Meio clichê, mas é! Daqueles tipos “como fazer amigos e influenciar pessoas” sabe? Além é claro de se aprofundar no tema técnico da sua área.”

“Acho importante você começar os estudos pelas instruções da CVM (358, 400, 480, etc…), Código de Melhores Práticas de Governança, tem alguns livros que você pode baixar no site da B3. Provável que a empresa que você trabalha tenha assinaturas como Economática, Broadcast ou Bloomberg, veja se consegue acesso. Uma outra dica é se cadastrar no mailing das empresas categoria A para receber informações, comunicados e fatos relevantes. Estudar os formulários de referência das Cias., fact sheet, earns releases e se familiarizar com os sites de RI, ver base acionária, etc… Isso tudo é o básico de melhores práticas. Não tem muita oferta de cursos, mas no site do IBRI você pode acompanhar e na B3 também. Por fim, é muito exigido do profissional de RI, habilidade em contabilidade, análise de mercado, Excel, inglês e principalmente comunicação. Tenho alguns livros baixados, vou tentar mandar no seu e-mail. Espero ter ajudado e estou à disposição.”

“Acho que o caminho é você tirar certificações CFP, CFA, CGA… Entender qual delas tem mais a ver com o caminho que você quer seguir.”

“Pra entender um pouco sobre legislação e regulamento é bom ler o ofício circular SEP da CVM. Todo ano eles emitem esse documento com as principais atualizações e os principais direcionamentos do dia a dia do RI. Ler a lei 6.385/76 e 6.404 também é bom. A 6.404 é muito grande e é bom ir lendo aos poucos de preferência através de um livro com comentários à lei. Tem um livro que você consegue de graça na Internet também, e é bom como introdutório: MERCADO DE VALORES MOBILIÁRIOS BRASILEIRO – TOP – CVM. Fora isso tem os pronunciamentos do CODIM também que você consegue na internet. Só isso aí já te dá um bom material de estudo!”

LINKS ÚTEIS:

https://www.ibri.com.br

https://www.codim.org.br

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6385original.htm

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404consol.htm

https://www.cvm.gov.br/legislacao/instrucoes/inst358.html

https://www.cvm.gov.br/legislacao/instrucoes/inst400.html

https://www.cvm.gov.br/legislacao/instrucoes/inst480.html

Click to access livro_TOP_mercado_de_valores_mobiliarios_brasileiro_4ed.pdf

https://www.b3.com.br

https://fipecafi.org

https://conhecimento.ibgc.org.br/Paginas/Publicacao.aspx?PubId=21138

https://economatica.com

https://www.bloomberg.com

https://broadcast.com.br

https://www.cvm.gov.br/legislacao/oficios-circulares.html

https://revistari.com.br

Página inicial

Newsletter E-Investidor

https://www.yubb.com.br

https://www.fundamentus.com.br

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https://www.empiricus.com.br

https://www.acionista.com.br

InfoMoney – Informação que vale dinheiro

https://www.capitalaberto.com.br

https://portalibre.fgv.br/

Perfil

Em linhas gerais, o profissional de RI deve ter boas formações, experiências e conhecimentos. As equipes de RI são muito enxutas e, normalmente, isso requer senioridade / níveis maiores. Além disso, é necessário que se conheça profundamente sobre o segmento/indústria em que a empresa está inserida e saiba se comunicar de maneira técnica, eloquente e transparente. O perfil profissional/CV ideal de Gerentes e Analistas de RI pode ser descrito da seguinte maneira:

FORMAÇÃO ACADÊMICA

Graduação/bacharelado/ensino superior nos cursos de: Administração de Empresas, Economia/Ciências Econômicas, Contabilidade/Ciências Contábeis, Ciências Atuariais, Relações Internacionais Comunicação/Relações Públicas, Engenharias ou correlatas.

Pós-graduação: é desejável possuir MBA, CBA ou especialização em: Finanças, Mercado de Capitais, Administração, Economia, Valuation, Estratégia e/ou outros cursos com forte base quantitativa também são considerados.

CERTIFICAÇÕES PROFISSIONAIS

Profissionais com a certificação CPRI do IBRI possuem diferencial, porém outras certificações do mercado financeiro são aceitáveis: CFA, CFP, CNPI-P, CNPI-T, AAI, CGA, CEA, CPA-10 e CPA-20.

IDIOMAS (LEITURA, ESCRITA, CONVERSAÇÃO)

Inglês: avançado/proficiente/fluente

Espanhol: apenas o básico é desejável

CONHECIMENTOS DE INFORMÁTICA

Domínio completo e comprovado das ferramentas do pacote da Microsoft Office, sendo fundamental/imprescindível Excel em nível avançado, Power Point e Word; Desejável: Conhecimento em alguma linguagem de programação (Visual Basic, Python, R, Java, C, C++, etc.)

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Ter experiência/vivência/atuação anterior na área de Relações com Investidores é geralmente desejável, porém para algumas vagas é obrigatória, especialmente nos níveis de Gerência. Paralelamente a isso, é necessário ter tido alguma ou muita experiência no segmento/setor/ indústria em que a empresa está inserida, conhecendo os principais players, indicadores, termos técnicos, histórico e tendências mercadológicas.

Espera-se que todos os profissionais tenham sólidos conhecimentos/conceitos de Contabilidade, Controladoria, Finanças Corporativas, Investimentos, Planejamento Financeiro, Governança Corporativa e Estratégia Empresarial, além da avançada capacidade analítica e comercial. Uma vez que há forte atuação com preparação de materiais e reports para apresentações com investidores, análises de variações de resultados, regras, prazos e legislação aplicável às S.A./ empresas de capital aberto (CVM e B3 – listadas no Novo Mercado), além do relacionamento com instituições financeiras, é preciso ter uma forte base matemática e completo entendimento do funcionamento do mercado de capitais.

Dentro desse contexto, destacam-se aqueles que já trabalharam em bancos, fundos de investimento e outras instituições do mercado financeiro, pois é procurado um perfil profissional detalhista, analítico, com desenvoltura para comunicação, habilidade para trabalho em equipe e uma experiência que deve abranger também:

Bons conhecimentos da estrutura do Sistema Financeiro Nacional, normativos do Banco Central (baseados no COSIF), M&A (Fusões e Aquisições), modelagem financeira/Valuation, análise e pesquisa (research) de Equity (sell side e/ou buy side), ESG (Environmental, Social & Global), Índice de Sustentabilidade Empresarial – ISE e Dow Jones Sustainability Index – DJSI. Além disso, têm diferencial aqueles que sabem usar o Bloomberg, o software Empresas.Net e o Visual Basic. Enfim, precisa-se que o profissional de R.I. tenha muita clareza na exposição das ideias e na comunicação, capacidade crítica/analítica, raciocínio lógico e apurado, alta absorção de informações, agilidade e intensidade de aprendizado, rápido tempo de resposta para atender prazos curtos e antecipação de dúvidas dos investidores. É claro que quanto maior for o cargo, mais é esperado/demandado academicamente e profissionalmente.

Rotina

Afinal, o que de fato faz um profissional da área de RI? Como é o dia-a-dia e quais são os objetivos do cargo, papéis, principais responsabilidades e funções desempenhadas? A rotina de um profissional de RI tem ligação e atuação direta com a várias áreas da empresa, prestando diversos serviços, entre suportes e entregas. Segue o leque de atividades:

REPORTS

A interface entre a empresa e os participantes do mercado de capitais exige a entrega/automação de todo material de divulgações financeiras e uma série de tipos de relatórios, em concordância com os maiores níveis de Governança Corporativa (Nível 1, Nível 2, Novo Mercado). Assim, o RI é o responsável por prestar esses serviços, tendo alto contato (direto e constante) com as áreas: Financeiro, Contabilidade, Controladoria, Jurídico, Marketing, Operações, Comercial, Projetos, TI e, principalmente, a alta cúpula administrativa. Todos os materiais variam de acordo com sua periodicidade e prazo de entrega/divulgação. Seguem os relatórios periódicos construídos/emitidos pela área de Relações com Investidores:

  • Earnings Release (Relatórios de Desempenho)
  • Press Release (Notas à Imprensa)
  • Relatório de Sustentabilidade
  • Speech de resultados
  • Questions & Answers
  • Últimas notícias
  • Highlights
  • Indicadores internos e externos (Key Performance Indicators – KPI)
  • Demais resultados financeiros (BP, DRE, Cash Flow, etc.)
  • Outras informações institucionais e setoriais

ÓRGÃOS REGULADORES

Preparação/elaboração/publicação de materiais e formulários em atendimento às demandas das instruções/orientações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), de informações obrigatórias da BM&F Bovespa (B3), Banco Central (BACEN), SEC/NYSE/NASDAQ (se for o caso) e demais órgãos reguladores, contribuindo na garantia do cumprimento das obrigações legais, colaborando com o nível de transparência adequado para o mercado e o bom fluxo de informações dentro da Companhia. A gestão das rotinas administrativas e regulatórias prevê a e execução de obrigações e realização das divulgações, reportes e upload de documentos de reporte no site da CVM (via Empresas Net/e-Net; e IPEonline), respeitando a periodicidade/tempestividade exigida e se responsabilizando por todos os arquivamentos. É estritamente necessário assegurar a qualidade das divulgações, respeitando regras e prazos, atuando de forma ativa na entrega dos seguintes formulários individuais e consolidados:

  • Fato Relevante e comunicados ao mercado
  • Formulário de Referência
  • Formulário CVM 358
  • Formulário 20-F
  • Documentos relacionados às Assembleias

SITE

Criar, atualizar, administrar, monitorar, gerir e propor melhorias ao website de RI da companhia, mantendo as informações em tempo real e sempre buscando o melhor UX (User Experience) aos Investidores. É preciso garantir toda a gestão/coordenação e suporte, bem como todas as manutenções e atualizações do site de Relações com Investidores, além de reformulações (se necessárias), RSS e também a gestão do e-mail de RI (newsletters/distribuição do mailing list).

BASE ACIONÁRIA

Mapear, monitorar, analisar, atualizar, acompanhar e aprimorar a base acionária. A consolidação e administração das evoluções/movimentações (compra/venda de ações) da base de acionistas da empresa é de extrema importância na rotina do RI, bem como a cobertura de sellside, reuniões com investidores e respectivas interações com o mercado para eventuais estudos de targeting e shareholders.

EVENTOS

Organização/realização/suporte/apoio de eventos periódicos nacionais e internacionais, participando de reuniões públicas, conferências, assembléias e non-deal roadshows na elaboração do targeting de potencias investidores, além da organização/gestão do calendário corporativo (agenda de RI), que inclui: Elaboração de prospectos, materiais de marketing e apresentações institucionais do Investor Day, Q&A’s, coordenação da teleconferência de resultados com investidores locais e estrangeiros (conference calls) e interações sob demanda da cobertura/consenso de analistas (buy side, sell side, research), visando apresentar adequadamente a empresa nos diversos fóruns em que participar, assegurando a transparência e acuidade adequada das informações prestadas em eventos relacionados ao mercado de capitais e também sempre acompanhando/auxiliando o atendimento aos demais agentes.

PEERS

Estudo/elaboração de apresentações, análises de informações (quantitativas e qualitativas) e relatórios do setor/indústria de atuação da empresa e seus peers, a fim de apoiar a administração na condução dos negócios, além do acompanhamento de resultados, indicadores econômico-financeiros e análise do desempenho/performance das ações da companhia na bolsa de valores em comparação estratégica com os demais pares (concorrentes).

MODELOS FINANCEIROS

Elaboração, construção, estruturação e atualização de modelos de Valuation, modelagens financeiras (Demonstrativo de Resultados do Exercício – DRE, Balanço Patrimonial – BP, Fluxo de Caixa) e projeção de resultados da companhia, além da avaliação dos resultados financeiros dos concorrentes para elaboração de comparativos.

DEMAIS ATIVIDADES

Atendimento às demandas gerais dos sócios, diretores, gerentes e público interno do que diz respeito à divulgação dos números da companhia, garantindo o cumprimento das rotinas administrativas e regulatórias da área. Essa orientação às áreas internas da companhia engloba o levantamento de informações que compõem entregas obrigatórias, estudos e análises diversas. Vale ressaltar que é primordial assegurar o profissionalismo, a transparência adequada, manter o bom fluxo de informações, ter a melhor ideia sobre a percepção do mercado acerca da empresa, a fim de munir e gerar valor para a Companhia, suas controladas e seus negócios. Abaixo seguem outras atividades que compõem a rotina do departamento de RI:

  • Desenvolvimento de materiais e apresentações em outras línguas (geralmente Inglês), assim como traduções de documentos
  • Suporte na padronização de materiais corporativos para a comunicação com o mercado
  • Desenvolvimento e iniciativas do tema ESG (Environmental, Social and Governance)
  • Cuidar do Customer Relationship Management (CRM) de investidores da Companhia, reduzindo o custo de suas captações e melhorando a comunicação financeira
  • Auxiliar na implementação das novas exigências de acordo com a regulamentação do mercado (Brasil e exterior), podendo trazer insights estratégicos e prospectos
  • Criar/gerir um relacionamento ético e respeitoso, representando a empresa no relacionamento com agências de rating e outros stakeholders, com o objetivo de se obter um canal de troca de informações adequado e que beneficie a companhia através de recomendações e análises positivas e consequente geração de valor
  • Responsabilizar-se pelas atividades de backoffice do departamento, provendo/apoiando na gestão administrativa da área, bem como seu orçamento e a manutenção de pagamentos
  • Coletar informações nas diversas áreas da empresa, para o cumprimento das obrigações de uma empresa de capital aberto, respondendo tempestivamente a questionamentos
  • Participar de Comitês executivos e encontros do Conselho de Administração, conforme previsto nas melhores práticas de Governança Corporativa
  • Avisos aos acionistas e ao mercado dos atos societários da Companhia
  • Suporte nos processos de Forecasting, Budgeting e análises de viabilidade financeira
  • Banco de dados e relatórios gerenciais contendo informações macroeconômicas
  • Monitoramento e correção de informações disponibilizada em portais de informação financeira (Bloomberg, Thompson Reuters, Facset, Yahoo Finance, Google Finance, Zacks, Market Maker, etc.)
  • Relacionamento com bancos depositários, fornecedores de produtos/serviços específicos para o time de RI
  • Outros papéis, funções e rotinas administrativas

O que é R.I.?

Relações com Investidores (RI) é o conjunto de atividades que promovem a integração entre o mercado de capitais e a companhia através da comunicação corporativa em uma relação de retroalimentação de informações. É uma responsabilidade estratégica e multidisciplinar da alta administração, destinada a estreitar o relacionamento entre a empresa e os seus investidores, sendo esses atuais ou potenciais, privados ou institucionais.

O termo “RI” descreve o departamento de uma empresa de capital aberto ou que planeja seu IPO, dedicada a lidar com consultas de acionistas e potenciais investidores, bem como outras pessoas que possam estar interessadas nas ações ou na estabilidade financeira de uma empresa.

Cada vez mais, investidores demandam um crescente volume de informações sobre a empresa, pois só se compra o que se conhece muito bem. Portanto, provendo informações de maneira eficaz e eficiente, o RI contribui para a justa precificação do valor de mercado da companhia.

Capaz de integrar a conformidade das leis financeiras, a comunicação, o marketing e os valores mobiliários permitindo a comunicação bidirecional mais eficaz entre a empresa e a comunidade financeira, o RI contribui para uma melhor avaliação da empresa, seu patrimônio e uma valoração mobiliária mais justa e adequada.

Por isso o RI é um departamento essencial em muitas das empresas de médio a grande porte: serve para fornecer ao mercado números mais precisos sobre seus negócios. Isso ajuda pessoas a tomarem melhores decisões sobre a possibilidade de investir ou não.

O mercado de capitais sofisticado e bem regulamentado propicia às companhias condições de captar recursos cada vez mais e a custos mais favoráveis. Devido às regulamentações mais pesadas sobre relatórios financeiros estabelecidas pela Lei Sarbanes-Oxley de 2002, a maioria das empresas de capital aberto possui departamentos dedicados responsáveis ​​por lidar com as relações com investidores para garantir o cumprimento das leis de relatórios. Além disso, os departamentos de RI devem estar cientes das mudanças nos requisitos regulatórios e aconselhar a empresa sobre o que pode e o que não pode ser feito da perspectiva de RP.

Dentre os materiais entregáveis, incluem-se documentos financeiros quantitativos, como relatórios periódicos, mas também informações qualitativas, como o modelo de negócios da empresa e a direção estratégica, fornecendo informações atualizadas sobre as operações da empresa, demonstrações financeiras para acionistas atuais e potenciais, bem como analistas de pesquisa de patrimônio de terceiros. As informações são divulgadas regularmente através do site de RI e/ou por meio de eventos como comunicados à imprensa e reuniões de shareholders.

O departamento de RI também é encarregado de encaminhar informações de importantes partes interessadas da empresa para a gerência, fazendo da comunicação uma via de mão dupla. Quando feito corretamente, isso leva à estabilidade nos preços das ações, pois as expectativas dos acionistas sobre o desempenho são formuladas corretamente em torno das decisões reais tomadas pela administração.

A maneira como o departamento de RI se enquadra na estrutura corporativa de uma empresa reflete as funções/objetivos que a equipe de gerenciamento deseja que a equipe de RI priorize. É necessário que os departamentos de RI sejam totalmente integrados ao departamento de contabilidade, jurídico e equipe de gerenciamento executivo financeiro da empresa. Os profissionais de RI concentram-se na comunidade financeira da empresa, e não em seus clientes comerciais ou no público em geral.

O departamento de RI normalmente se reporta diretamente a Diretoria Financeira (CFO), mas também pode ser visto como um subconjunto do departamento de Relações Públicas de uma empresa. Outros organogramas podem incluí-lo nos departamentos Jurídico ou Contábil, enquanto alguns o têm como departamento autônomo. Além disso, as boas práticas internacionais de Governança Corporativa prezam pela existência do RI.

É de grande responsabilidade coordenar a comunicação entre a alta cúpula de uma empresa e seus acionistas, a liberar informações, lidar com consultas e reuniões, fornecer feedbacks e gerenciamento de crises (financeiras ou não), aconselhando a gerência no intuito de preservar o relacionamento com stakeholders, bem como mitigar qualquer dano ao preço das ações.

Apresentação

Bem vindos (as),

Como Economista, Financista e profissional de Relações com Investidores, tenho o intuito de compartilhar informações e conceitos relacionados ao assunto, bem como conteúdos sobre Mercado de Capitais, Finanças, Investimentos e Governança Corporativa.

“An investment in knowledge pays the best interest.” – Benjamin Franklin