Debêntures

Cada vez mais as empresas necessitam captar recursos financeiros no mercado e procurar meios de se capitalizar para financiar seus planos, projetos, operações e expansões. Há diversos produtos financeiros para tais fins, e a emissão de debêntures corporativas é um dos instrumentos mais utilizados para se fazer isso, estando também ligado ao escritório de RI.

Debêntures são títulos de dívida de longo-prazo emitidos por governos e empresas que oferecem direito de crédito ao investidor para garantir capital/fundos. Funciona como se fosse um empréstimo feito pelos investidores à companhia, sendo valores mobiliários que representam a dívida de médio ou longo prazo da empresa. Não há garantias ou ativos físicos necessários para fazer backup da dívida, uma vez que a qualidade de crédito geral e a reputação do emissor são suficientes. Cupons ou taxas de juros são oferecidos como compensação ao credor, representando assim o seu retorno/rentabilidade na operação.

Um exemplo de debêntures emitidas pelo governo são os títulos do Tesouro Direto, considerados ativos livres de riscos pelo fato de o governo poder pagar (supostamente) o valor devido, através da obtenção de recursos advindos da arrecadação de impostos. As debêntures corporativas são mais comumente usadas para empréstimos de longo-prazo, que têm uma data pré-determinada para reembolso, bem como uma taxa de juros fixa.

Existem dois tipos principais de debêntures: as conversíveis e as não-conversíveis. As Debêntures conversíveis são títulos remunerados que podem ser convertidos de dívida para ações após um período específico. Esse é um recurso especial do qual as empresas se aproveitam, pois pode atrair credores e geralmente acarreta uma taxa de juros mais baixa para a empresa emissora. Já as debêntures não-conversíveis são instrumentos de dívida regulares que não são conversíveis em ações. No entanto, para atrair credores e investidores, eles vêm com taxas de juros mais altas.

Alguns fatores importantes devem ser considerados ao comprar/investir em uma debênture e os investidores/credores precisam analisar os seguintes pontos:

  1. Credibilidade da Companhia: A saúde financeira da empresa emissora ainda é o melhor juiz da capacidade de crédito. Saber por que fundos/capital adicionais são necessários, bem como a classificação de crédito são os fatores mais importantes na tomada decisão.
  2. Rating de Crédito: Existem várias agências que emitem classificações de crédito para avaliar a qualidade de um título em termos de desempenho financeiro (Fitch Ratings, Standard & Poors, Moody’s). É preferível que a empresa tenha uma classificação elevada de AAA ou AAA+ para confirmar sua capacidade de pagamento e geração de valor.
  3. Taxa do Cupom: É a taxa de juros oferecida pelo emissor. Uma taxa mais alta implica em instrumentos de dívida de maior risco, e uma taxa mais baixa significa que é uma dívida de menor risco. Os pagamentos dos cupons (retorno do investidor) podem ser feitos mensalmente, trimestralmente, semestralmente ou anualmente.
  4. Incentivos/benefícios: São outros recursos adicionais agregados para promover a debênture e atrair investidores. As empresas podem oferecer um plano de participação nos lucros e resultados aos funcionários como uma espécie de incentivo, por exemplo.

Dentre os prós e contras de uma debênture, há dois pontos de vista importantes a serem considerados na avaliação de investimento: o emissor e o investidor.

Do ponto de vista do emissor, um título conversível pode ser considerado vantajoso, pois o mesmo pode ser oferecido a uma taxa de cupom mais baixa. Além disso, os juros das debêntures são despesas dedutíveis para a empresa emissora, portanto, ela será menos tributada. Independentemente de quanto lucro a empresa está gerando, os detentores de títulos conversíveis só podem receber ganhos fixos limitados até a conversão, ou seja, a empresa só poderá dividir a receita operacional com os investidores se o EBITDA for positivo.

Para investidores ou credores, os títulos conversíveis fornecem uma cobertura de segurança para seu capital aplicado, especialmente para aqueles que desejam participar do crescimento potencial da empresa. Uma vez que os títulos são convertidos em ações, os investidores ou credores podem se beneficiar do aumento do preço das ações. Embora sejam mais arriscados do que os títulos conversíveis (em termos de volatilidade do mercado), os títulos não-conversíveis oferecem uma taxa de juros ou rendimento mais elevados para os detentores de títulos. Quando as taxas de juros sobem, contudo, o valor do título cai. Uma vez que estas não podem ser convertidas em ações, a única opção é esperar até o período de vencimento.

Definição pela ‘B3’: “Debêntures são títulos de dívidas (espécie de empréstimo onde o investidor compra os papéis) emitido por empresas não financeiras para captar recursos. Esse empréstimo pode ser em renda fixa prefixada, pós fixada ou com inflação mais juros”.

Indicadores

Diferentemente das análises gráficas, os indicadores fundamentalistas são extremamente importantes para diagnosticar a situação de uma empresa, avaliar sua saúde financeira e ter uma perspectiva quanto ao seu desempenho futuro. Com base nessas informações, também é possível cruzar informações de diferentes negócios de um mesmo setor ou subsetor para encontrar a melhor oportunidade de investimento (Peers/Comps – CCA: Comparable Company Analysis). Vamos então aos conceitos, fórmulas e indicadores mais analisados:

Ticker: Código da ação/papel (ex.: PETR3, VALE4, ITUB4 etc.), que vem do nome comercial da Empresa (ex.: PETROBRAS, VALE, ITAU etc.) e do tipo de ação

Tipo: Ordinária Nominativa (ON-3), Preferencial Nominativa (PN-4), PN tipo A ou B etc.

Setor: Classificação setorial da BM&F BOVESPA

Subsetor: Classificação por segmento de atuação

Cotação e data: Cotação de fechamento da ação no último pregão e data do último pregão em que o ativo foi negociado. É importante também analisar o volume médio de negociação da ação nos últimos 3 meses, assim como a data do último balanço patrimonial divulgado pela empresa. Todos os indicadores são calculados considerando os últimos 12 meses finalizados na data desse Balanço

Mín./Máx. 52 sem.: Menor/Maior cotação da ação nos últimos 12 meses

Valor de Mercado: Calculado multiplicando o preço da ação pelo número total de ações

Enterprise Value: Valor da firma, calculado somando o valor de mercado com a dívida líquida

Nº de Ações: total somado de ações de todas as espécies/tipos (ON, PN etc.)

Oscilações: Variações percentuais por dia, mês, 30 dias, 12 meses, últimos 5 anos etc.

P / L: Preço da ação dividido pelo lucro por ação. O P/L é o número de anos que se levaria para reaver o capital aplicado na compra de uma ação, através do recebimento do lucro gerado pela empresa, considerando que esses lucros permaneçam constantes

P / VPA: Preço da ação dividido pelo Valor Patrimonial por Ação. Informa quanto o mercado está disposto a pagar sobre o Patrimônio Líquido da empresa

P / EBIT: Preço da ação dividido pelo EBIT por ação. O EBIT (Earnings Before Interest and Taxes – Lucro Antes dos Impostos e Juros) é uma aproximação do resultado operacional da empresa, calculado através da seguinte fórmula: Lucro Bruto – Despesas com venda – Despesas Administrativas

PSR: Price Sales Ratio. Preço da ação dividido pela Receita Líquida por ação

CFS:  Cash Flow/Share. Geração de caixa obtida pela empresa / Número total de Ações

P / Ativos: Preço da ação dividido pelos Ativos totais por ação

P / Capital de Giro: Preço da ação dividido pelo capital de giro por ação. Capital de Giro é o Ativo Circulante menos o Passivo Circulante

P / Ativo Circulante Líquido: Preço da ação dividido pelos Ativos Circulantes Líquidos por ação. O Ativo Circulante Líquido é obtido subtraindo os ativos circulantes pelas dívidas de curto e longo prazo, ou seja, após o pagamento de todas as dívidas, quanto sobraria dos ativos mais líquidos da empresa (caixa, bancos, estoque etc.)

Dividend Yield: Dividendo pago por ação dividido pelo preço da ação. É o rendimento gerado para o dono da ação pelo pagamento de dividendos

Dividend Payout: Porcentagem do lucro que é distribuído na forma de dividendos

EV / EBITDA: Valor da firma (Enterprise Value) dividido pelo EBITDA. O EBITDA é calculado através da seguinte fórmula: Lucro Bruto – Despesas com venda – Despesas Administrativas + Depreciações e Amortizações

EV / EBIT: Valor da firma (Enterprise Value) dividido pelo EBIT

Fluxo de caixa líquido: (Pagamentos – Recebimentos no período) + Saldo inicial de caixa. É importante também analisar o crescimento da receita líquida nos últimos anos

LPA: Lucro por ação

VPA: Valor Patrimonial por ação. Valor do Patrimônio Líquido dividido pelo número total de ações

Margem Bruta: Lucro Bruto dividido pela Receita Liquida. Indica a porcentagem de cada R$ 1 de venda que sobrou após o custo dos produtos/serviços vendidos

Margem EBIT: EBIT dividido pela Receita Líquida. Indica a porcentagem de cada R$ 1 de venda que sobrou após o pagamento dos custos dos produtos/serviços, das despesas com vendas, gerais e administrativas

Margem Líquida: Lucro Líquido dividido pela Receita Líquida

EBIT / Ativo: EBIT dividido por Ativos totais

ROIC: Retorno sobre o capital investido. Calcula dividindo-se o EBIT por (Ativos- Fornecedores – Caixa). Informa o retorno que a empresa consegue sobre o capital total aplicado

ROE: Retorno sobre o Patrimônio Líquido. Lucro líquido dividido pelo Patrimônio Líquido

Liquidez Corrente: Ativo circulante dividido pelo Passivo Circulante. Reflete a capacidade de pagamento da empresa no curto-prazo. Há também os índices de Liquidez Seca, Imediata e Geral

Dívida Bruta / PL: Dívida bruta total (Dívida + Debêntures) dividido pelo Patrimônio Líquido

Dívida Liquida / PL: Dívida líquida total (Dívida Bruta – Disponibilidades) dividido pelo PL

Giro Ativos: Receita Líquida dividida pelos Ativos totais. Indica a eficiência coma a qual a empresa usa seus ativos para gerar vendas

Ativo: Todos os bens, direitos e valores a receber de uma entidade

Disponibilidades: Contas que representam bens numerários (dinheiro)

Ativo Circulante: Bens ou direitos que podem ser convertidos em dinheiro no curto-prazo

Dívida Bruta: Obtida somando-se as dívidas de curto e longo prazo mais as debêntures de curto e longo prazo

Dívida Líquida: Dívida bruta menos disponibilidades. Se este valor é negativo, significa que a empresa possui caixa líquido positivo

DRE: A Demonstração do Resultado de Exercício (DRE) é uma espécie de listagem de dados da empresa. Ela é um instrumento primordial para o investidor conhecer a companhia de maneira geral e completa

Patrimônio Líquido: Representa os valores que sócios ou acionistas têm na empresa em um determinado momento. No Balanço Patrimonial, a diferença entre o valor dos ativos e dos passivos e resultado de exercícios futuros representa o PL, que é o valor contábil devido pela pessoa jurídica aos sócios ou acionistas

Receita Líquida: Soma de todas as vendas da empresa em determinado período deduzido de devoluções, descontos e alguns impostos

Lucro Líquido: O que sobra das vendas após a dedução de todas as despesas

Valor Intrínseco: O valor intrínseco ou justo de uma ação é aquele que reflete os resultados financeiros da empresa (atuais e projetados)

ESG (Environmental, Social and Governance)

As siglas ESG ou ASG (Ambiental, Social e Governança) têm ganhado atenção cada vez maior nos últimos anos, com muitos investidores alocando recursos em empresas que fornecem relatórios de desempenho e divulgação de informações públicas enraizados nos conceitos de ESG. Trata-se da estrutura para avaliar o impacto da Sustentabilidade e das práticas éticas de uma empresa. Na verdade, o ESG tem considerações relevantes para analistas e investidores, consumidores e funcionários, e se tornou um tópico-chave de discussão nos Conselhos Administrativos e Comitês diversos. Os chamados papéis verdes (green bonds) ganharam forte relevância no mercado e há uma grande tendência global em torno dessa temática, transformando o mercado financeiro e a tomada de decisão de investimentos.

As três grandes categorias/áreas de interesse para o que é denominado “investimento socialmente e ambientalmente responsável” englobam aspectos advindos do conceito de Sustentabilidade. Investidores consideram importante incorporar seus valores e preocupações em sua seleção de investimentos, ao invés de simplesmente considerar a prosperidade financeira, lucratividade potencial e/ou risco apresentado por uma oportunidade de investimento. Dentro de cada esfera ESG estão várias questões específicas relacionadas ao tema. Por exemplo, na esfera “Ambiental” estão questões/preocupações como poluição ou resíduos que uma empresa produz e fatores relacionados às mudanças climáticas. Já na esfera “Social”, o tema da diversidade e inclusão é extremamente importante.

O conceito ESG também pode ser referido como investimento sustentável, investimento de impacto ou investimento relacionado à missão. Os investidores ESG tendem a ser investidores mais ativistas, participando de assembleias de acionistas e trabalhando arduamente para influenciar as políticas e práticas da empresa. Ao oferecer suporte ao gerenciamento de risco geral de uma empresa, examina-se cada componente em detalhes e fornece uma visão sobre como eles convergem para impactar uma empresa e seus stakeholders, além das pressões corporativas e as expectativas das partes interessadas e seu impacto na identificação/gestão de riscos/oportunidades e no sucesso do negócio (performance financeira).

Ambiental

Os critérios ambientais incluem temas como o uso de fontes de energia renováveis pela empresa, seu programa de gestão de resíduos, como ela lida com problemas potenciais de poluição do ar ou da água decorrentes de suas operações, questões de desmatamento (se aplicável) e a atitude e ações da empresa em relação a questões de mudança climática. Outras possíveis questões ambientais incluem o abastecimento de matéria-prima ou se a empresa segue práticas de biodiversidade em terras que possui ou controla.

Social

Os critérios sociais cobrem uma gama extremamente ampla de problemas potenciais, mas todos eles são essencialmente sobre relações humanas. Um dos relacionamentos-chave para uma empresa, do ponto de vista de muitos investidores socialmente responsáveis, é o relacionamento da empresa com seus funcionários. As políticas do local de trabalho relacionadas à diversidade, inclusão e prevenção de assédio sexual e moral são fatores frequentemente considerados. Além disso, preocupações em torno da comunidade onde a empresa está inserida são muito importantes, no sentido de ‘give back’ (devolver/retribuir).

Governança

A governança no contexto do ESG é essencialmente sobre como uma empresa é administrada pelo C-Level, bem como os Conselhos e Comitês. Avalia-se o quão bem a gestão executiva e o conselho de administração atendem aos interesses das várias partes interessadas da empresa – stakeholders. Transparência financeira/contábil e relatórios financeiros completos/honestos costumam ser considerados elementos-chave da boa governança corporativa. Também são importantes os conselheiros que atuem em genuína relação fiduciária com os acionistas e tenham o cuidado de evitar conflitos de interesse com esse dever.

Segue o excelente texto do Especialista e Consultor de Planejamento Financeiro, Hilton Vieira:

A revolução do mercado

“A sigla ESG, do inglês Governança Ambiental, Social e Corporativa, ganhou destaque no mercado financeiro, mas poucas pessoas entendem o amplo significado desse termo. De forma simplificada, ESG nada mais é que uma série de práticas corporativas voltadas para o comportamento mais ético das empresas para conquistar sustentabilidade ambiental, justiça social e governança corporativa. Se no passado o principal objetivo era o lucro a qualquer custo, o presente demonstra que essa lógica já não é mais válida e afasta não só o público, mas também investidores.

Se há 30 anos alguém dissesse que uma empresa deveria desenvolver processos com menor impacto ambiental e ter uma política social mais responsável, diriam que essa visão é utópica. O mercado financeiro não olhava esse tipo de posicionamento de forma positiva, muito pelo contrário. A regra era buscar o lucro independentemente da forma como ele fosse obtido. Na época, ‘os fins justificavam os meios’.

Felizmente esse pensamento ficou para trás e a busca por melhores práticas se tornou uma realidade global e está aumentando cada vez mais no Brasil. As empresas têm percebido que além de trazerem um impacto positivo para o mundo, essas práticas representam uma vantagem competitiva gigantesca. E o significado disso é muito simples: o mundo mudou. Desmatamento, poluição, machismo, racismo e tantas outras práticas que eram normalizadas, passaram a ser mal vistas em uma sociedade mais consciente e responsável. O consumidor está mais inteligente, criterioso e conectado. As empresas estão sendo observadas a todo instante e qualquer simples boato de má conduta pode fazer com que seus colaboradores se desmotivem, suas vendas caiam vertiginosamente, suas ações despenquem e até seus fiéis consumidores migrem para outra marca.

Uma pesquisa recente desenvolvida pela IBM em parceria com a National Retail Federation, com mais de 19 mil pessoas em 28 países, revelou que um terço dos consumidores deixaria de comprar os seus produtos preferidos se não confiasse mais na marca ou na empresa. Mostrou também que a preferência no consumo está em empresas mais transparentes e responsáveis, e que 70% desses consumidores estão dispostos a pagar mais para terem acesso a produtos mais sustentáveis.

No Brasil temos o exemplo do Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bovespa, o ISE B3, que analisa o resultado de um conjunto de empresas que adotam políticas socioambientais responsáveis e apresentam uma governança mais ética e justa. Resultado: essa carteira ofereceu uma rentabilidade de +295,73%, maior que o desempenho de +245,06% do Ibovespa. Além de contribuir para um mundo mais justo e sustentável, essas práticas agrupadas na sigla ESG trazem resultados financeiros cada vez mais sólidos.

A formação de equipes heterogêneas (equidade de gênero e etnias); responsabilidade ambiental, como a redução direta e indireta das emissões de carbono e o descarte adequado de embalagens; e práticas de justiça social, como a associação com ONGs que buscam diminuir a desigualdade social e o combate a fome, são uma realidade entre as melhores empresas do Brasil, como a Natura, CPFL e Lojas Renner por exemplo, que constam no grupo da ISE B3.

Chegamos em um momento em que as empresas devem se posicionar. Não basta ter o melhor produto, a melhor distribuição e o melhor preço, se sua marca não está posicionada de forma adequada na cabeça desse novo consumidor, mais consciente e criterioso.

Tanto os consumidores quanto os investidores estão priorizando aquelas companhias que realmente apresentam um propósito bem definido e uma cultura corporativa condizente com os seus valores morais e éticos.”

https://newsroom.ibm.com/2020-01-10-IBM-Study-Purpose-and-Provenance-Drive-Bigger-Profits-for-Consumer-Goods-In-2020

https://www.ibm.com/thought-leadership/institute-business-value/report/consumer-2020

http://iseb3.com.br/o-que-e-o-ise

https://courses.corporatefinanceinstitute.com/courses/environmental-social-governance

https://academy.exame.com/a-revolucao-da-sustentabilidade

M&A

Já ouviu a frase ‘Juntos somos mais fortes’? Pois bem. O M&A (Mergers & Acquisitions, ou Fusões & Aquisições) trata-se disso: são transações de duas empresas combinadas de alguma maneira.

Embora sejam usadas de forma intercambiável, elas vêm com significados jurídicos diferentes. Em uma FUSÃO, duas empresas de tamanho semelhante se combinam para formar uma nova entidade única. Por outro lado, uma AQUISIÇÃO é quando uma empresa maior adquire uma empresa menor, absorvendo assim os negócios da empresa menor. Os M&A podem ser amigáveis ​​ou hostis, dependendo da aprovação do conselho da empresa-alvo. Em todos os casos, faz-se necessária a assessoria de bancos de investimentos e escritórios de advocacia para as questões contratuais, financeiras e operacionais.

As transações em M&A podem ser divididas por tipo (Horizontal; Vertical; Conglomerado) ou por forma (Estatutária; Subsidiária; Consolidação), onde o Valuation é uma parte significativa do processo e é um ponto de discussão extremamente importante entre as partes.

O processo de Valuation (avaliação) é conduzido pelo adquirente, bem como pelo alvo. O adquirente vai querer comprar o alvo pelo preço mais baixo, enquanto o alvo vai querer o preço mais alto. Assim, orienta-se o comprador e o vendedor para chegarem ao preço final da transação, utilizando-se dos três métodos de avaliação principais citados nesse post.

Tipos de M&A

1) Horizontal: Uma fusão horizontal acontece entre duas empresas que operam em setores semelhantes que podem ou não ser concorrentes diretos.

2) Vertical: Uma fusão vertical ocorre entre uma empresa e seu fornecedor ou cliente ao longo de sua cadeia de suprimentos. A empresa pretende subir ou descer ao longo da sua cadeia de abastecimento, consolidando assim a sua posição na indústria.

3) Conglomerado: Esse tipo de transação geralmente é feito por motivos de diversificação e entre empresas de setores não relacionados.

Formas de M&A

1) Estatutário: As fusões legais geralmente ocorrem quando o adquirente é muito maior do que o alvo e adquire os ativos e passivos do alvo. Após o negócio, a empresa-alvo deixa de existir como uma entidade separada.

2) Subsidiária: Em uma fusão de subsidiárias, o alvo se torna uma subsidiária do adquirente, mas continua a manter seus negócios.

3) Consolidação: Em uma consolidação, ambas as empresas na transação deixam de existir após o negócio, e uma entidade completamente nova é formada.

As atividades de fusões e aquisições (M&A) podem ocorrer por várias razões, tais como:

  • Desbloqueando sinergias: A justificativa comum para fusões e aquisições (M&A) é criar sinergias nas quais a empresa combinada valha mais do que as duas empresas individualmente. As sinergias podem ser devido à redução de custos ou maiores receitas. As sinergias de custo são criadas devido a economias de escala, enquanto as sinergias de receita são normalmente criadas por vendas cruzadas, aumento da participação de mercado ou preços mais altos. Das duas, as sinergias de custo podem ser facilmente quantificadas e calculadas.
  • Maior crescimento: O crescimento inorgânico por meio de fusões e aquisições (M&A) geralmente é uma maneira mais rápida de uma empresa obter receitas mais altas em comparação com o crescimento orgânico. Uma empresa pode ganhar adquirindo ou fundindo-se com uma empresa com os recursos mais recentes, sem ter que correr o risco de desenvolver a mesma internamente.
  • Maior poder de mercado: Em uma fusão horizontal, a entidade resultante alcançará uma maior participação de mercado e ganhará o poder de influenciar os preços. As fusões verticais também levam a um maior poder de mercado, pois a empresa terá mais controle de sua cadeia de suprimentos, evitando choques externos no fornecimento.
  • Diversificação: As empresas que operam em setores cíclicos sentem a necessidade de diversificar seus fluxos de caixa para evitar perdas significativas durante uma desaceleração em seu setor. A aquisição de um alvo em uma indústria não cíclica permite que uma empresa diversifique e reduza seu risco de mercado.
  • Benefícios fiscais: Os benefícios fiscais são investigados quando uma empresa realiza um lucro tributável significativo enquanto outra incorre em prejuízos fiscais a compensar. A aquisição da empresa com prejuízos fiscais permite ao adquirente usar os prejuízos fiscais para reduzir o seu passivo fiscal. No entanto, as fusões geralmente não são feitas apenas para evitar impostos.

As fusões e aquisições podem ser via compra de ações ou compra de ativos. Em uma compra de ações, o adquirente paga aos acionistas da empresa-alvo em dinheiro e/ou ações em troca de ações da empresa-alvo. Nesse caso, os acionistas do alvo recebem compensação e não o alvo. Existem certos aspectos a serem considerados em uma compra de ações:

O adquirente absorve todos os ativos e passivos do alvo – mesmo aqueles que não estão no balanço patrimonial. Para receber a compensação pelo adquirente, os acionistas do alvo devem aprovar a transação por maioria de votos, o que pode ser um processo longo. Os acionistas arcam com a responsabilidade fiscal, pois recebem a compensação diretamente.

Já na compra de um ativo, o adquirente compra os ativos do alvo e paga diretamente a ele. Uma vez que o adquirente compra apenas os ativos, ele evitará assumir qualquer um dos passivos do alvo. Como o pagamento é feito diretamente ao alvo, geralmente, nenhuma aprovação dos acionistas é necessária, a menos que os ativos sejam significativos (por exemplo, mais de 50% da empresa). A compensação recebida é tributada no nível corporativo como ganhos de capital pela meta.

Em uma oferta de ações, o adquirente emite novas ações que são pagas aos acionistas do alvo. A quantidade de ações recebidas é baseada em uma relação de troca, que é fechada antecipadamente devido às flutuações do preço das ações. No caso de uma oferta em dinheiro, o adquirente simplesmente paga em dinheiro em troca das ações do alvo.

D.R.E., Fluxo de Caixa e Balanço Patrimonial

Existem três relatórios principais em Contabilidade/Finanças Corporativas e Relações com Investidores: Fluxo de Caixa, Demonstrativo de Resultado do Exercício e Balanço Patrimonial. Todas as informações contidas nesses relatórios são essenciais e necessárias para a execução de modelagens financeiras, tais como Earnings Releases, Valuations, Relatórios Periódicos (mensal, trimestral, anual), Relatórios de Sustentabilidade, KPIs… Todos são baseados nos três principais.

Primeiramente, o Demonstrativo de Resultado do Exercício (D.R.E.) mostra, sob o regime de competência contábil, os lucros e perdas da empresa ao longo de um período de tempo, sendo determinado tomando todas as receitas e subtraindo todas as despesas das atividades operacionais e não operacionais. O D.R.E. mostra contabilmente (e não financeiramente como o Fluxo de Caixa) a receita, custos, lucro bruto, despesas de vendas, despesas administrativas, EBITDA (ou LAJIR), margens, impostos pagos e lucro líquido, seguindo de forma coerente e lógica as operações da empresa. A periodicidade mais comum é mensal, que pode ser agregada aos valores totais de resultados trimestrais e anuais, por exemplo.

Este demonstrativo requer o mínimo de informações do Fluxo de Caixa e do Balanço Patrimonial. Assim, em termos de informação, o D.R.E. antecede as outras duas demonstrações principais.

Já o Fluxo de Caixa mostra quanto dinheiro é gerado, movimentado e usado durante um determinado período de tempo, em termos financeiros (atividade de tesouraria). As principais categorias encontradas em uma demonstração de fluxo de caixa são: atividades operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento, organizadas respectivamente. O dinheiro total fornecido ou usado por cada uma das três atividades é somado para se chegar à variação total em dinheiro para o período, que é então adicionado ao saldo de caixa inicial para chegar ao resultado final da demonstração de fluxo de caixa, o saldo de caixa final (tesouro). As demonstrações do fluxo de caixa refletem a quantidade real de dinheiro da empresa.

Uma das principais razões pelas quais as entradas e saídas de caixa são observadas é a comparação entre o caixa das operações e o lucro líquido. Essa comparação auxilia a administração da empresa, analistas e investidores a avaliar o quão bem ou mal uma empresa está administrando suas operações.

A razão para a diferença entre Caixa e Lucro nesses relatórios é porque o D.R.E. é montado de acordo com o regime de competência, onde combina receitas e despesas para o período contábil, mesmo que as receitas possam realmente não ter sido cobradas e as despesas possam ainda não ter foi pago. Em contraste, a demonstração do Fluxo de Caixa reconhece apenas o caixa que foi realmente recebido ou desembolsado.

Por fim, o Balanço Patrimonial mostra a composição e distribuição de capital da empresa, os ativos totais e como esses ativos são financiados, através de dívida ou patrimônio. Também pode ser referido como uma demonstração do patrimônio líquido ou uma demonstração da posição financeira. O Balanço Patrimonial. é baseado na equação fundamental: Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido, sendo dividido em dois lados (ou seções). O lado esquerdo descreve todos os ativos de uma empresa. No lado direito, há todo o passivo da empresa e seu patrimônio líquido. Os ativos e passivos são separados em duas categorias: circulantes (curto-prazo) e não circulantes (longo-prazo). Contas mais líquidas, como Estoques e saldos em contas correntes de Bancos são colocadas na seção atual antes das contas ilíquidas (ou não circulantes), como imóveis e dívidas de longo-prazo.

Os balanços patrimoniais, como todas as demonstrações financeiras, apresentam diferenças entre organizações e setores, pois depende muito do core business e do ambiente mercadológico. No entanto, existem vários itens e linhas em comum no Ativo Circulante, Ativo Imobilizado, Passivo Circulante, Passivo Imobilizado e Patrimônio Líquido.

Contudo, é o melhor relatório para se analisar a posição financeira de uma empresa, e juntamente com as outras declarações, serve como base de cálculo para vários índices financeiros que ajudam a determinar o desempenho da organização, o quão líquida, ou solvente, ou eficiente ela é, obtendo uma imagem completa da saúde financeira da mesma. Importantes informações sobre variações percentuais são observadas e extraídas partir de análises verticais e horizontais nas contas de DRE e BP. As quatro métricas mais importantes de desempenho financeiro são:

  • Índices de Liquidez: Comparar os ativos circulantes de uma empresa com seus passivos circulantes fornece uma imagem da liquidez. O ativo circulante deve ser maior do que o passivo circulante para que a empresa possa cobrir suas obrigações de curto prazo.
  • Alavancagem Financeira: Observar como uma empresa é financiada indica o quão alavancada ela é, que por sua vez indica quanto risco financeiro a empresa está assumindo. Comparar dívidas com patrimônio líquido e dívidas com capital total são formas comuns de se avaliar a alavancagem no balanço patrimonial.
  • Índices de Eficiência: A Demonstração de Resultados do Exercício em conexão com o Balanço Patrimonial torna possível avaliar a eficiência com que uma empresa usa seus ativos. Por exemplo, dividir a receita pelo total médio de ativos produz o Índice de Rotatividade, indicando a eficiência com que a empresa transforma ativos em receita. Além disso, o ciclo do capital de giro mostra o quão bem uma empresa administra seu caixa no curto-prazo.
  • Taxas de Retorno: O Balanço Patrimonial pode ser usado para avaliar quão bem uma empresa gera retornos. Por exemplo, dividir o lucro líquido pelo patrimônio líquido produz retorno sobre o patrimônio líquido (Return On Equity – ROE), e dividir o lucro líquido pelo total de ativos produz Retorno sobre ativos (Return On Assets – ROA), e dividir o lucro líquido pela dívida mais o patrimônio resulta em retorno sobre o capital investido (Return On Investment – ROI).

Todos os profissionais de Relações com Investidores constantemente participam da construção, elaboração e divulgação desses relatórios para a comunidade/mercado, fornecendo todas as informações financeiras e contábeis necessárias para análises fundamentalistas e técnicas de analistas, investidores, bancos e outros agentes, que por sua vez determinam o valor de mercado da empresa, bem como o preço justo de suas ações. Cabe ao setor de R.I. realizar essa retroalimentação informacional, administrando a base de investidores, observando os demais players, acompanhando os movimentos mercadológicos, a conjuntura macroeconômica e comunicando-se com o público investidor de maneira eloquente, responsiva e transparente.

Valuation

‘Valorar’ ou atribuir valor a algo é uma verdadeira arte! E em se tratando de empresas e das Relações com Investidores, vários pontos são abordados para que se chegue no valor justo da mesma. Entretanto, existe uma grande diferença entre valor e preço, no sentido de que o preço de algo é derivado da percepção de valor daquilo em determinado período de tempo e/ou sob determinada circunstância/situação, que juntamente com outros métodos e técnicas de precificação, se traduz em valores monetários e pode então ser comercializado.

O Valuation refere-se ao processo de avaliação e determinação do valor presente de uma empresa, ativo ou título/papel, utilizando-se de várias técnicas. Os analistas que desejam atribuir valor a uma empresa normalmente analisam a gestão do negócio, a perspectiva de lucros futuros, o valor de mercado dos ativos da empresa e como a estrutura de capital é composta (capital próprio, financiamento, endividamento, etc.).

Departamentos de RI participam diretamente em processos de Valuation. Durante a negociação de uma ação na bolsa de valores, os vendedores e compradores ditarão o seu valor de mercado. No entanto, o valor intrínseco dela é um conceito que se refere ao valor percebido com base em ganhos futuros ou outros atributos que não estão relacionados ao valor de mercado. Portanto, o trabalho do analista ao fazer um Valuation é saber se um ativo ou uma empresa está subvalorizada ou sobrevalorizada na perspectiva do mercado.

Muitos profissionais de mercado tratam como se fosse a base para a tomada de decisão adequada para as organizações, tanto no presente quanto no futuro. Mesmo que não seja possível prever o futuro, para as empresas se perpetuarem, elas precisam se preparar para cenários de incerteza.

É uma análise financeira crítica e muito completa que precisa ser feita por especialistas que tenham as qualificações adequadas. Portanto, Valuations são necessários em muitas situações, incluindo reorganizações de negócios, disputas de acionistas, ações de funcionários ou planos de opção de ações, fusões e aquisições, desapropriações, negociação de venda tática da entidade, planejamento de uma estratégia de saída, aquisição de financiamento e redução de risco financeiro.

Essas avaliações podem ser realizadas em ativos ou passivos, pois eles são necessários por vários motivos, incluindo transações de M&A (fusão e aquisição), orçamento de capital, análise de investimento, litígio e relatórios financeiros. É um exercício extremamente importante, pois pode ajudar a melhorar a situação da empresa, dentre as outras razões a seguir:

Litígio: Em um processo judicial, como por exemplo lesão corporal, divórcio ou ainda quando houver um problema com o valor de um negócio, é preciso fornecer provas do valor da empresa para que, em caso de danos, sejam baseados no valor real dos negócios e não em números inflacionados estimados por um advogado.

Plano de estratégia de saída: No caso do planejamento da venda de um negócio, aconselha-se chegar a um valor base para a empresa e, em seguida, propor uma estratégia para aumentar a lucratividade da mesma a fim de aumentar seu valor como estratégia de saída. Um Valuation com atualizações anuais manterá o negócio pronto para uma venda (esperada ou não). Também irá garantir informações corretas sobre o valor justo de mercado da empresa e evitar perdas de capital devido à falta de clareza ou imprecisões.

Compra de uma empresa: Embora vendedores e compradores geralmente tenham opiniões diversas sobre o valor do negócio, o valor real da empresa é o que os compradores estão dispostos a pagar. Uma boa avaliação de negócios considerará as condições de mercado, a receita potencial e outros detalhes semelhantes para garantir que o investimento seja viável.

Venda de uma empresa: A venda de um negócio a terceiros precisa valer muito a pena (para ambas as partes). O preço solicitado deve ser atraente para os potenciais compradores, mas não se deve deixar dinheiro em cima da mesa.

Planejamento estratégico: O valor real dos ativos deve contemplar suas respectivas depreciações e, se não houver ajuste no balanço patrimonial para as várias alterações possíveis, o negócio pode se tornar arriscado. É preciso obter sempre a avaliação mais atual do negócio, fornecendo precisas informações que ajudam a otimizar o processo decisório.

Financiamento: Para negociar com bancos ou quaisquer outros potenciais investidores para determinado financiamento, é preciso se ter uma avaliação bem objetiva. A documentação do valor da empresa é necessária, uma vez que aumenta sua credibilidade perante os credores.

Vender ações: O Valuation adequado dos negócios permite que saber o valor econômico justo das ações para quando quiser vendê-las. Assim como na venda do negócio, é preciso garantir que nenhum dinheiro seja deixado sobre a mesa.

O Valuation é pautado em alguns princípios-chave fundamentais, a saber:

  • O valor de uma empresa privada geralmente sofre mudanças todos os dias. Os ganhos, a posição de caixa, o capital de giro e as condições de mercado de uma empresa estão sempre mudando. A avaliação preparada pelos proprietários de negócios há alguns meses ou anos pode não refletir o verdadeiro valor atual do negócio. O valor de um negócio requer monitoramento consistente e regular. Este princípio de avaliação ajuda os proprietários de empresas a compreender a importância da data de avaliação no processo de avaliação de empresas.
  • O valor varia principalmente de acordo com a capacidade de uma empresa de gerar fluxo de caixa futuro. A avaliação de uma empresa é essencialmente uma função de seu fluxo de caixa futuro, exceto em raras situações em que a liquidação do ativo líquido leva a um valor mais alto. A primeira lição importante no segundo princípio é “futuro”. Isso implica que os resultados históricos dos ganhos da empresa antes da data de avaliação são úteis para prever os resultados futuros do negócio sob certas condições. A segunda chave neste princípio é “fluxo de caixa”. É porque o fluxo de caixa, que leva em conta as despesas de capital, as variações do capital de giro e os impostos, é o verdadeiro determinante do valor do negócio. Os proprietários de empresas devem ter como objetivo construir uma estimativa abrangente dos fluxos de caixa futuros de suas empresas. Mesmo que fazer estimativas seja um empreendimento subjetivo, é vital que o valor do negócio seja validado. Informações históricas confiáveis ​​ajudarão a apoiar as suposições que as previsões usarão.
  • As forças de mercado geralmente estão em um estado de fluxo e elas orientam a taxa de retorno necessária para os compradores em potencial em um determinado mercado. Algumas das forças de mercado incluem o tipo de indústria, custos financeiros e as condições econômicas gerais. As taxas de retorno do mercado oferecem indicadores de referência significativos em um momento específico. Eles influenciam as taxas de retorno desejadas pelos compradores individuais de empresas no longo prazo. Os proprietários de empresas precisam ser cautelosos com as forças do mercado para saber o momento certo de sair que irá maximizar o valor.
  • Este princípio de avaliação de negócios mede a relação entre o valor operacional de uma empresa e seu valor líquido tangível. Teoricamente, uma empresa com um valor de ativo tangível líquido subjacente mais alto tem um valor maior de continuidade. Isso se deve à disponibilidade de mais segurança para financiar a aquisição e menor risco de investimento, uma vez que há mais ativos a serem liquidados em caso de falência. Os proprietários de empresas precisam construir uma base de ativos. Para setores que não são intensivos em capital, os proprietários precisam encontrar meios para apoiar a avaliação de seu goodwill.
  • O grau de transferência dos fluxos de caixa da empresa para um potencial adquirente afetará o valor da empresa. Empresas valiosas geralmente operam sem o controle do proprietário. Se o proprietário da empresa exercer um grande controle sobre a entrega do serviço, o crescimento da receita, a manutenção do relacionamento com o cliente, etc., então o proprietário garantirá a boa vontade e não a empresa. Esse tipo de boa vontade pessoal oferece muito pouco ou nenhum valor comercial e não é transferível. Nesse caso, o valor total do negócio para um adquirente pode ser limitado ao valor dos ativos tangíveis da empresa, caso o proprietário do negócio não queira ficar. Os proprietários de empresas precisam formar uma equipe de gerenciamento forte para que a empresa seja capaz de funcionar com eficiência, mesmo que deixem a empresa por um longo período de tempo. Eles podem construir uma equipe de gestão mais forte e melhor por meio de um alinhamento corporativo aprimorado, treinamento e até mesmo por meio de contratações.
  • Este princípio funciona com base na teoria da oferta e da procura. Se o mercado tiver muitos compradores em potencial, mas houver alguns alvos de aquisição de qualidade, haverá um aumento nos múltiplos de avaliação e vice-versa. Em ambos os contextos de mercado aberto e de avaliação nocional, mais liquidez de interesse comercial se traduz em mais valor de interesse comercial. Os proprietários de negócios precisam levar os melhores compradores potenciais à mesa de negociações para maximizar o preço. Isso pode ser alcançado por meio de um processo de leilão controlado.

Embora sejam conceitos de avaliação técnica, princípios fundamentais precisam ser bem compreendidos. O valor de qualquer negócio é determinado em um ponto específico no tempo e é impactado pela capacidade da empresa de gerar fluxo de caixa futuro, forças de mercado, ativos tangíveis e intangíveis, capacidade de transferência de fluxos de caixa futuros e liquidez.

Preparar uma empresa para a venda geralmente leva vários anos, e a avaliação contínua dos principais impulsionadores é fundamental para o sucesso, uma vez que não apenas melhorará a avaliação da empresa, mas também a levará a ser mais lucrativa e eficiente no longo prazo.

Os motivadores (drivers) de um Valuation referem-se a fatores que aumentam o valor de um negócio no caso de uma oportunidade de venda. Os proprietários precisam considerar fatores essenciais para aumentar o fluxo de caixa, bem como reduzir o risco, aumentando assim o valor geral da empresa, forçando-os a monitorar o valor da empresa anos antes de pensarem em sair.

É essencial reconhecer os drivers de avaliação que irão melhorar os fluxos de caixa e reduzir os riscos associados ao negócio. Existem vários direcionadores de valor que podem ser atribuídos a uma empresa, alguns dos quais são específicos para determinados setores.

  • Economias de escala: Os custos por unidade normalmente diminuem com um aumento na produção. Pode ser por meio da distribuição dos custos de capacidade sobre volumes maiores ou por meio de descontos por quantidade. Uma empresa deve explorar bem as economias de escala internas que a ajudariam a crescer. As empresas também podem obter economias de escala extras entrando em uma joint venture, consórcio ou terceirização para melhorar seu poder de compra, bem como reduzir despesas.
  • Tecnologia: As pequenas empresas sem grandes recursos monetários geralmente carecem de recursos adequados para pesquisa e desenvolvimento, encontrando dificuldades para se equiparar às mudanças tecnológicas em seus mercados. Na maioria das vezes, essas empresas são forçadas a alocar recursos para alguns projetos de desenvolvimento de produtos ou incorrer em muitas despesas em um futuro próximo. O resultado é a obsolescência do produto ou serviço, baixo crescimento e perda de participação no mercado. No entanto, empresas maiores podem demonstrar melhor conhecimento tecnológico por meio do desenvolvimento de produtos que atendam às necessidades emergentes dos clientes, atraindo-os a escolher produtos modernos de alto desempenho.
  • Oferta de produtos e serviços: Embora as entidades especializadas geralmente desenvolvam sua força concentrando-se em campos de nicho, esse foco pode levar a riscos devido à dependência excessiva de alguns mercados e à falta de diversificação. Os maiores clientes de algumas dessas empresas podem adotar uma política de apenas negociar fornecedores que ofereçam uma ampla variedade de produtos, obrigando-os a vender para uma empresa maior ou expandir suas ofertas de produtos. As empresas devem se esforçar para desenvolver uma combinação de ofertas.
  • Acesso ao Capital: As empresas menores geralmente têm acesso limitado ao capital próprio e à dívida. Os gerentes de negócios e proprietários dessas empresas precisam avaliar o tipo de capital de que precisariam para atingir seus objetivos. Eles precisam saber como a empresa está alavancada atualmente, se os acionistas podem ser obrigados a fornecer pessoalmente empréstimos ou ações como garantia, ou se devem trazer um investidor externo e emitir ações preferenciais.
  • Desempenho Financeiro: Por meio da análise financeira, uma empresa pode medir tendências, identificar seus passivos e ativos e comparar sua condição e desempenho financeiro com empresas semelhantes. As demonstrações financeiras preparadas internamente podem impedir a avaliação do desempenho por parte da administração, levando à possibilidade de potenciais compradores questionarem a qualidade dos dados.
  • Funcionários qualificados: Capital humano qualificado é vital para qualquer organização. Os funcionários da empresa contribuem com habilidades, habilidades criativas, experiência e conhecimento para o negócio, bem como para a saúde da cultura da empresa. Os funcionários determinarão a eficácia da produção e da entrega do serviço.
  • Base de clientes sólida: Ter uma base de clientes sólida e ampla é importante para a continuidade da viabilidade de uma empresa. Quando as empresas crescem e prosperam fornecendo serviços apenas aos seus maiores clientes, isso pode aumentar sua dependência até o ponto em que uma grande parte das receitas vem de poucos clientes. As empresas precisam gerenciar a distribuição da concentração de clientes para minimizar o risco de perder uma fonte substancial de receitas da empresa.
  • Ambiente de Mercado: As empresas são geralmente influenciadas pelos desenvolvimentos e tendências econômicas nos setores em que operam. A administração da empresa precisa desenvolver uma boa compreensão do impacto dos fatores econômicos em sua indústria, sua participação e posição de mercado e sua oferta exclusiva e de nicho.
  • Estratégia de marca e marketing: O marketing se refere à ligação entre as necessidades dos clientes e sua resposta aos produtos ou serviços de uma empresa. Uma empresa com uma marca forte melhorará suas vendas por meio de um aumento no reconhecimento do mercado e também dará a ela uma direção clara que ajude a aumentar a eficiência operacional. Uma empresa deve vincular sua marca à sua missão e direção estratégica e estar ciente de suas deficiências e capacidades de vendas e marketing.
  • Visão Estratégica: Um grande número de empresas simplesmente formula orçamentos anuais sem tentar montar planos de negócios de longo prazo ou previsões que estejam em sintonia com as necessidades, estabilidade, demandas e dados demográficos de seus clientes. Como a valorização está voltada para as perspectivas de futuro, a gestão da empresa precisa adotar uma visão estratégica se quiser criar valor.

Ao se avaliar uma empresa em funcionamento, existem três métodos principais utilizados: (1) análise de DCF, (2) análise de comparáveis e (3) transações precedentes. Esses são os métodos mais comuns usados ​​em bancos de investimento, pesquisa de patrimônio líquido, capital privado, desenvolvimento corporativo, fusões e aquisições (M&A), aquisições alavancadas (LBO) e na maioria das áreas financeiras.

Há também a abordagem de custo, que analisa quanto custa reconstruir ou substituir um ativo, sendo útil para avaliar imóveis, propriedades ou um título de investimento. Esta abordagem ignora qualquer criação de valor ou geração de fluxo de caixa e apenas olha para as coisas através das lentes de “custo = valor”. Não é normalmente utilizado por profissionais de finanças corporativas para avaliar uma empresa ativa.

Outro método de avaliação para uma empresa em atividade é chamado de análise de capacidade de pagamento. Essa abordagem analisa o preço máximo que um adquirente pode pagar por um negócio enquanto atinge alguma meta. Se a empresa não continuar a operar, um valor de liquidação será estimado com base na divisão e venda dos ativos da empresa. Esse valor geralmente é muito descontado, pois pressupõe que os ativos serão vendidos o mais rápido possível a qualquer comprador.

A análise do Fluxo de Caixa Descontado (DCF) é uma abordagem de valor intrínseca onde um analista prevê o fluxo de caixa livre desalavancado da empresa no futuro e desconta-o de volta para hoje no Custo Médio Ponderado de Capital (CMPC ou WACC) da empresa. Uma análise DCF é realizada através da construção de um modelo financeiro e requer uma grande quantidade de detalhes e análises. É a mais detalhada das três abordagens e requer a maioria das estimativas e suposições. No entanto, o esforço necessário para preparar o modelo também resultará frequentemente na avaliação mais precisa, permitindo que o analista preveja o valor com base em diferentes cenários e até mesmo execute uma análise de sensibilidade. Para empresas maiores, o valor DCF geralmente é uma análise da soma das partes, em que diferentes unidades de negócios são modeladas individualmente e posteriormente somadas.

A análise comparável de empresas (também chamada de múltiplos de negociação, análise de grupo de pares, comps de ações ou múltiplos de mercado público) é um método de avaliação relativa em que se compara o valor atual de uma empresa com outras empresas semelhantes, observando a negociação de múltiplos, como P/L ou EV/EBITDA. Entretanto, múltiplos de EBITDA são os mais comuns. Esse método fornece um valor observável para o negócio, com base no que outras empresas comparáveis valem atualmente, sendo amplamente utilizado, pois é fácil de calcular e está sempre atualizado.

A análise de transações precedentes é outra forma de avaliação relativa, na qual se compara a empresa em questão a outras empresas do mesmo setor que foram recentemente vendidas ou adquiridas. Esses valores de transação incluem o prêmio de aquisição incluído no preço pelo qual foram adquiridos. Os valores representam o valor em bloco de uma empresa. Eles são úteis para transações de M&A, mas podem facilmente se tornar desatualizados e não refletir mais o mercado atual com o passar do tempo, e por isso são menos comumente usados.

Os banqueiros de investimento geralmente elaboram um gráfico resumo para sumarizar a gama de valores para uma empresa com base nos diferentes métodos de avaliação, que normalmente é incluído em um livro de apresentação de banco de investimento. O gráfico resume a faixa de negociação de um determinado período de tempo da empresa (preço das ações), a faixa de preços que os analistas têm para as ações, a faixa de valores de modelagem de avaliação comparável, a faixa de análise de transação precedente e, finalmente, o método de avaliação DCF.

Compliance

Há uma forte correlação entre Relações com Investidores, Governança Corporativa e Compliance: dever de estar em conformidade e fazer cumprir as leis, diretrizes, regulamentos internos e externos, buscando mitigar riscos atrelados à reputação e o risco legal.

A origem da palavra Compliance vem do verbo em Inglês “to comply”: agir de acordo com a regra, norma, política ou comando, ou seja, estar em conformidade. Utilizar Compliance significa adotar a melhor forma, maneira ou processo mais adequado para executar determinado trabalho dentro de uma organização.

Trazendo o termo à aplicabilidade no mundo corporativo, trata-se de um conjunto de normas e regras que devem ser observadas na execução dos negócios ou atividades dentro de um ramo, por meio de ferramentas que auxiliam nesse controle.

A Governança Corporativa é o sistema normativo e estrutural estabelecido pelos acionistas para a determinação de decisões sobre alocação de recursos, sendo crucial para as sociedades empresárias no mercado financeiro global. Por meio da governança, as organizações estabelecem um conjunto de mecanismos econômicos e legais com o objetivo de proteger os seus interesses, inclusive, para a mitigação de riscos, incluindo-se um programa de Compliance.

A estrutura das operações de instituições é um complexo sistema organizacional, que engloba aspectos diretivos, de controle, de monitoramento e de incentivos nas relações internas e externas com seus processos de gestão, trazendo a necessidade evolutiva de governança. Assim, a fundamentação já é encontrada na própria estrutura de gestão, e então a lei e as sanções aplicadas trazem consigo a exigência.

A governança apresenta as boas práticas a serem adotadas pela corporação, de modo a aumentar o seu valor, facilitando o acesso ao capital e garantindo a sua continuidade. Portanto, o programa de Compliance tem um papel relevante para gerar valor ao mitigar os riscos da empresa e garantir sua prosperidade e perenidade.

No Brasil, o Compliance entrou em vigor com a Lei 12.846/2013, que estabelece a responsabilidade objetiva, administrativa e civil das pessoas jurídicas por atos contra a administração pública. Assim, havendo a responsabilidade objetiva, sem análise de culpa, a empresa precisa provar não ter relação com as violações práticas contra a administração. A melhor maneira de se provar que não tem relação é demonstrar que possui um programa de Compliance/integridade eficiente.

Discutir Compliance requer a compreensão da natureza e da dinâmica da corrupção nas organizações. A conduta em conformidade com a regra ou a conduta corrupta apresentam diferentes causas e são influenciadas pelas circunstâncias. Na origem da conduta corrupta ou do Compliance, encontram-se a percepção moral, o entendimento do indivíduo acerca de sua atitude em presença da moral e das regras organizacionais.

As finalidades da implantação de uma política de Compliance são:

  • Cumprir com a legislação nacional e internacional, além das regulações do mercado e das normas internas da empresa
  • Prever demandas judiciais
  • Obter transparência na condução dos negócios
  • Resguardar a confidencialidade da informação concedida à instituição por seus clientes
  • Opor-se aos conflitos de interesse
  • Evitar lucros pessoais indevidos por meio da criação de condições artificiais de mercado, ou da manipulação e utilização da informação privilegiada
  • Evitar a ilicitude da lavagem de dinheiro
  • Difundir os valores de Compliance na cultura organizacional por meio de treinamentos e educação
  • Adequar-se ao momento e fazer a mitigação correta dos riscos operacionais, legais, de crédito e reputacional

Dentro desse panorama e definindo as bases de a implementação da política de Compliance, a empresa:

  • Tende a direcionar as suas ações para as finalidades definidas
  • Emprega recursos de modo mais eficaz, dimensionando melhor as medidas
  • Passa a ter decisões mais econômicas e uniformes para casos semelhantes
  • Se protege contra as pressões das emergências
  • Apresenta uniformidade e consistência em seus atos e decisões, cooperando com a transparência dos processos
  • Promove a adaptação de novos empregados à cultura organizacional
  • Disponibiliza aos gestores mais tempo para repensar políticas e atuar em questões estratégicas
  • Aumenta e aprimora o conhecimento dos membros da organização

Essa política uma vez implantada e funcionando efetivamente na empresa, leva a uma maior confiança por parte dos investidores e mais confiabilidade no mercado, dessa forma, atingindo altos níveis de cooperação interna e externa, aumento de lucro (sempre de modo sustentável), trazendo benfeitorias à organização, a seus empregados e à sociedade.

No entanto, há muitos desafios da realidade corporativa que precisam ser trabalhados para que seja possível a implementação do Compliance, como:

  • Avaliação ética
  • Contexto regulatório abrangente, inclusive, redunda em um desencorajamento do inovador e criativo
  • Burocratização dos processos
  • Desenvolvimento de movimento de gestão baseado em evidências
  • Custos dos programas de Compliance e a realidade concorrencial
  • Cultura individual e organizacional.

O programa precisa ainda estar fundamentado na realidade da firma, considerando seu porte, suas atividades e o mercado em que se insere.

Para o implante de uma política de Compliance, a empresa deverá primeiramente elaborar um programa fundamentado na sua realidade, cultura, atividade, área de atuação e local de operação, que deverá ser implementado “em todas as entidades que a organização participa ou possui algum tipo de controle ou investimento”, sobretudo mediante o implemento de políticas, elaboração de um Código de Ética, criação de comitê exclusivo, o treinamento permanente e a disseminação da cultura, monitoramento de risco de Compliance, revisão periódica, incentivos, assim como a criação de canal confidencial para recebimento de denúncias, com a procedente investigação e determinação de penalidades em vista de ocasional inadimplemento da conduta almejada. Manual de Compliance: preservando a boa governança e a integridade das organizações.

Portanto, recapitulando: Compliance é o conjunto de disciplinas para fazer cumprir as normas legais e regulamentares, as políticas e as diretrizes estabelecidas para o negócio e para as atividades da instituição ou empresa, bem como evitar, detectar e tratar qualquer desvio ou inconformidade que possa ocorrer através de ferramentas de controle. Sendo assim, no mundo corporativo, Compliance são os conjuntos de disciplinas para cumprir as normas legais e regulamentadoras, políticas ou diretrizes estabelecidas para um negócio ou atividades da organização, com a utilização de ferramentas que auxiliam esses controles. Através das atividades de monitoramento efetuadas pelo Compliance, qualquer desvio em relação à operacionalização pode ser identificado e evitado.

I.P.O.

“An IPO is an Initial Public Offering. It’s the first time a stock is offered for sale to the general population.” – Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio), O Lobo de Wall Street (2013)

Portanto, IPO é a sigla em Inglês para Initial Public Offer, uma Oferta Pública Inicial, sendo a primeira emissão e venda de ações por uma empresa que passa a ter o capital aberto ao público. Antes de um IPO, a empresa é considerada privada/limitada, geralmente com um pequeno número de investidores (fundadores, amigos, parentes e investidores institucionais, como capitalistas de risco ou investidores-anjo). Quando uma empresa passa por um IPO, o público em geral pode comprar ações e deter uma parte da empresa pela primeira vez. Por isso o IPO é frequentemente referido como abertura de capital e o processo de subscrição é normalmente conduzido por um ou mais bancos de investimento, sendo essencial para um mercado financeiro saudável.

As empresas procuram crescimento e prosperidade econômico-financeira, portanto recorrem a uma oferta pública para levantar/arrecadar capital adicional, uma de suas maiores vantagens. O montante levantado pode ser usado para formação de caixa, fusões e aquisições de empresas, investimentos diversos, modernizações, compra de bens imobilizados, financiamento de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), fomento de iniciativas, quitação de dívidas existentes, etc. Há também uma maior exposição e divulgação da empresa, gerando uma onda de novos clientes em potencial. Além disso, investidores privados, sócios-fundadores ou capitalistas de risco podem usar um IPO como estratégia de saída, pois é uma das formas mais comuns pelas quais os investidores de risco ganham quantias significativas.

Em linhas gerais, as etapas que uma empresa deve realizar para abrir o capital por meio de um processo de IPO são:

  1. Definição dos bancos de investimento e demais parceiros que assessorarão o IPO
  2. Realização de todos os Due Dilligences, registros e arquivamentos necessários
  3. Precificação: Prospecto e definição da faixa de preço pós Roadshow
  4. Estreia: Cerimômia de abertura de capital na Bolsa de Valores
  5. Estabilização e transição para a concorrência no mercado

O primeiro passo em uma oferta pública inicial é contratar um ou mais bancos de investimento. Em seguida, todos os envolvidos no IPO – equipe de gestão, auditores, contadores, bancos de subscrição, advogados e especialistas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – participam de uma reunião para discutir a oferta e determinar o momento ideal, pois o timing é extremamente crucial. Reuniões semelhantes acontecem durante o processo de subscrição.

Após a reunião, as devidas diligências devem ser conduzidas na empresa para garantir que as declarações e registros estejam corretas: due diligence de mercado, legal, financeira e tributária. As informações nessas declarações incluem demonstrações financeiras históricas, dados relevantes, visão geral, fatores de risco, etc., gerando um prospecto preliminar que educa banqueiros e analistas sobre a empresa, pois são eles que realizarão a venda aos investidores.

Então um “book” é previamente feito para sentir o apetite do mercado, determinar se os investidores institucionais gostam do setor e da empresa e o preço que provavelmente estariam dispostos a pagar por ação. Em conjunto com a avaliação interna, uma faixa de preço para a oferta é definida pelos bancos. Feito isso, inicia-se o Roadshow, onde a equipe viaja para se encontrar com investidores e comercializar a empresa. É um processo muito importante, pois os pedidos de quantidade de ações por investidores e o preço que eles estão dispostos a pagar são determinados (a faixa de preço pode ser revisada posteriormente). A equipe se reunirá com os bancos de investimento para decidir o preço final do negócio, com base na demanda. Se o apetite for alto, a empresa irá precificar as ações acima do que foi inicialmente determinado. Assim que o IPO for precificado, os bancos de investimento alocarão ações aos investidores e as ações começarão a ser negociadas no mercado para o público comprar e vender.

A cerimônia de estreia na Bolsa de Valores geralmente é marcada por uma grande festa. No evento, estão presentes os principais responsáveis pelo trabalho anterior (CEO, CFO, equipes de RI/M&A/Financeiro/Contabilidade/Comercial, parceiros e até familiares). É feita uma contagem regressiva logo na abertura do pregão e então a empresa começa a ter suas ações negociadas através do Ticker definido anteriormente.

O dia seguinte a abertura de capital normalmente vem acompanhado de uma leve queda no preço das ações da empresa, popularmente chamado de ‘ressaca do IPO’. Isso porque na estreia, a empolgação e a excitação são tão grandes que a ação acaba tendo alta, mas no dia seguinte não consegue acompanhar a mesma performance e fecha em queda (geralmente).

Depois disso tudo, são fornecidas recomendações de analistas, há uma estabilização pós-mercado e cria-se então um mercado para as ações emitidas. Se necessário, efetua-se a estabilização no after market no caso de desequilíbrio das ordens.

Em algumas bolsas, a fase final do processo de IPO (transição para a competição de mercado) começa alguns dias após a oferta pública inicial, uma vez que o determinado “período de silêncio” termina. Durante este tempo, os investidores passam da dependência das divulgações obrigatórias e do prospecto para a dependência das forças do mercado para obter informações sobre as ações.

Dentre os grandes desafios de uma listagem pública, é que isso pode levar de seis meses a um ano, sendo um processo caro e, por isso, historicamente, apenas empresas privadas com fundamentos sólidos e alto potencial de lucratividade passam por uma abertura de capital.

As empresas públicas são compostas por milhares de acionistas e estão sujeitas a regras e regulamentos. No Brasil, as empresas públicas são monitoradas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um conselho de administração deve ser formado e informações financeiras e contábeis auditáveis devem ser fornecidas periodicamente. Por fim, as informações de uma empresa pública estão prontamente disponíveis online, podendo ser útil para os concorrentes.

Os bancos de investimento gastam muito tempo tentando avaliar a abertura de capital da empresa. Em última análise, são os investidores que decidirão quanto vale a empresa quando decidem participar da oferta e quando compram/vendem ações após o início da negociação na bolsa. Os principais métodos utilizados para avaliar a empresa antes de abrir o capital são:

• Modelagem financeira (análise de fluxo de caixa descontado)

• Comparativo analítico de empresas do mesmo setor (peers)

• Análise de transação precedente e múltiplos comparáveis

Ao combinar esses três métodos, os banqueiros são capazes de triangular o que acham ser um valor razoável que investidores estariam dispostos a pagar pelo negócio. A avaliação pode ser mais uma arte do que uma ciência e, por esse motivo, muitos IPO’s apresentam muita volatilidade nos primeiros dias de negociação.

Apesar de todo o trabalho de valuation, subscrever uma oferta pública pode ser desastroso para uma empresa, pois ainda há uma tendência de subvalorização do IPO, ou seja, elas são intencionalmente precificadas significativamente mais baixas do que o preço de negociação do primeiro dia. Isso costuma ser chamado de “deixar dinheiro em cima da mesa”.

A atuação da área de Relações com Investidores em um processo de IPO (no Brasil ou no exterior) é de suma importância, uma vez que é preciso desempenhar papéis trazendo as melhores práticas em RI no pré e pós oferta, sendo essa o ponto central da abertura de capital.

Sustentabilidade

Muito se fala nas siglas ESG ou ASG (Environmental/Ambiental, Social and Governance), nas Finanças Sustentáveis, Investimentos Responsáveis e Papéis/Títulos Verdes (Green Bonds), conceitos que vêm mudando o mercado de ações e agora são foco dos gestores e investidores. Mas introdutoriamente, o que é Sustentabilidade? Afinal de contas, ela é a base para isso tudo.

O mundo altamente globalizado gerou uma qualidade de vida socialmente desigual e os padrões de consumo estão comprometendo cada vez mais os recursos naturais. O desenvolvimento é virtuoso, porém é ambientalmente degradante e precisam-se de novos modelos de crescimento que tragam prosperidade, porém sem comprometer o planeta.

Portanto, por Sustentabilidade (no mundo corporativo) entende-se: Habilidade de se sustentar. Integração equilibrada entre performance econômica, inclusão social e responsabilidade ambiental, ajudando a entender a complexidade e a interconectividade das economias globais.

Mas então: como buscar a prosperidade econômica com inclusão social e sem destruir os recursos naturais? Empresas que possuem um modelo de desenvolvimento sustentável fazem diferente, inovam, questionam, buscam novas oportunidades de negócio, repensam, mudam e se adaptam, uma vez que a Sustentabilidade deve estar integrada ao planejamento estratégico empresarial e a mesma deve nortear as decisões da alta cúpula.

Hoje em dia, o ciclo de vida dos produtos é cada vez menor devido ao desenvolvimento tecnológico acelerado: nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação, etc. O desenvolvimento econômico ampliou a desigualdade social (renda per capita mundial muito discrepante) e além disso as mudanças climáticas, o aquecimento global, a acidificação dos oceanos, a poluição, a destruição da camada de ozônio e a perda da biodiversidade vêm se tornando cada vez mais a maior ameaça ao Planeta Terra.

É preciso buscar um desenvolvimento ambientalmente responsável, com a capacidade de suprir as necessidades atuais sem ferir as gerações seguintes. O mundo pede por Economias com empresas ambientalmente mais responsáveis, socialmente mais inclusivas, economicamente mais rentáveis e processos de Governança cada vez mais transparentes e participativos e, para que isso ocorra, é necessário respeitar os três pilares da Sustentabilidade, o chamado Triple Bottom Line: Econômico, Social, Ambiental.

Pilar Econômico

Pautado na prosperidade econômica: incessante busca por rentabilidade, produtividade, longevidade, competitividade e inovatividade. Para se tornar uma empresa longeva, deve-se estar sempre atento aos novos paradigmas tecnológicos, observando a intensidade e a inovação tecnológica em países desenvolvidos. Em países menos desenvolvidos (emergentes), as empresas tendem a ser mais ‘comoditizadas’, com manufaturas concentradas e buscando mais por inovações de processos. São incessantes buscas por redução de custo, novos produtos, novos mercados, modelos de negócio, vendas de produtos e prestação de serviços.

Pilar Social

Preocupações em torno da pobreza, desigualdade e vulnerabilidade social, respeitando os Direitos Humanos e baseando-se em dados estatísticos que mostram o tamanho da desigualdade que assola o mundo. Todas as questões referentes a inclusão social de gênero, raça, opção sexual, deficiência, educação e idade estão cada vez mais evidentes e é extremamente necessário que se promova um conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade provocadas por essas diferenças, de forma que se ofereçam oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos.

Pilar Ambiental

Voltado às ameaças ambientais globais, aos danos locais que podem gerar impactos de alta magnitude, as legislações/regulamentações ambientais rígidas que estimulam cada vez mais a competitividade, a Biodiversidade, mudanças climáticas e outros mecanismos relativos a poluição do ar/água, lixo (reciclagem/reuso), gestão de resíduos, ecossistemas, proteção aos recursos naturais, vida selvagem, flora e fauna (principalmente espécies em extinção). O Meio Ambiente não é uma restrição empresarial e pode oferecer oportunidades para as empresas, entretanto é preciso estar muito atento a todos esses aspectos.

Geralmente há um padrão linear de produção, consumo e descarte, e isso requer atenções em torno desses processos (do início ao fim). As empresas buscam um ciclo de vida maior para seus produtos, aumentando sua cadeia de valor e a capacidade natural de se regenerar, sempre de forma a atender às expectativas dos Shareholders (acionistas). É válido também analisar o perfil econômico das empresas e onde elas estão inseridas globalmente (população mais rica consome e polui mais; população mais pobre depende de commodities e desmata mais).

Por isso é importante estimular o engajamento dos Stakeholders da empresa – Clientes, Fornecedores, Governos, ONGs, Comunidade Local, etc., para que seja possível a construção de uma Matriz de Materialidade: avaliação e decisão das partes interessadas VS. importância dos impactos econômicos, ambientais e sociais. Analisam-se esses aspectos quanto a sua ordem de prioridade, combinando competências e conhecimentos (modelos de compartilhamento) para tornar a empresa ambientalmente mais responsável, socialmente mais inclusiva/respeitosa e economicamente mais próspera. Para tal, a reestruturação dos processos de Governança (mais transparentes e participativos) minimiza os riscos e gera as oportunidades necessárias, enaltecendo e justificando o foco no conceito ESG.