Sustentabilidade

Muito se fala nas siglas ESG ou ASG (Environmental/Ambiental, Social and Governance), nas Finanças Sustentáveis, Investimentos Responsáveis e Papéis/Títulos Verdes (Green Bonds), conceitos que vêm mudando o mercado de ações e agora são foco dos gestores e investidores. Mas introdutoriamente, o que é Sustentabilidade? Afinal de contas, ela é a base para isso tudo.

O mundo altamente globalizado gerou uma qualidade de vida socialmente desigual e os padrões de consumo estão comprometendo cada vez mais os recursos naturais. O desenvolvimento é virtuoso, porém é ambientalmente degradante e precisam-se de novos modelos de crescimento que tragam prosperidade, porém sem comprometer o planeta.

Portanto, por Sustentabilidade (no mundo corporativo) entende-se: Habilidade de se sustentar. Integração equilibrada entre performance econômica, inclusão social e responsabilidade ambiental, ajudando a entender a complexidade e a interconectividade das economias globais.

Mas então: como buscar a prosperidade econômica com inclusão social e sem destruir os recursos naturais? Empresas que possuem um modelo de desenvolvimento sustentável fazem diferente, inovam, questionam, buscam novas oportunidades de negócio, repensam, mudam e se adaptam, uma vez que a Sustentabilidade deve estar integrada ao planejamento estratégico empresarial e a mesma deve nortear as decisões da alta cúpula.

Hoje em dia, o ciclo de vida dos produtos é cada vez menor devido ao desenvolvimento tecnológico acelerado: nanotecnologia, biotecnologia, tecnologia da informação, etc. O desenvolvimento econômico ampliou a desigualdade social (renda per capita mundial muito discrepante) e além disso as mudanças climáticas, o aquecimento global, a acidificação dos oceanos, a poluição, a destruição da camada de ozônio e a perda da biodiversidade vêm se tornando cada vez mais a maior ameaça ao Planeta Terra.

É preciso buscar um desenvolvimento ambientalmente responsável, com a capacidade de suprir as necessidades atuais sem ferir as gerações seguintes. O mundo pede por Economias com empresas ambientalmente mais responsáveis, socialmente mais inclusivas, economicamente mais rentáveis e processos de Governança cada vez mais transparentes e participativos e, para que isso ocorra, é necessário respeitar os três pilares da Sustentabilidade, o chamado Triple Bottom Line: Econômico, Social, Ambiental.

Pilar Econômico

Pautado na prosperidade econômica: incessante busca por rentabilidade, produtividade, longevidade, competitividade e inovatividade. Para se tornar uma empresa longeva, deve-se estar sempre atento aos novos paradigmas tecnológicos, observando a intensidade e a inovação tecnológica em países desenvolvidos. Em países menos desenvolvidos (emergentes), as empresas tendem a ser mais ‘comoditizadas’, com manufaturas concentradas e buscando mais por inovações de processos. São incessantes buscas por redução de custo, novos produtos, novos mercados, modelos de negócio, vendas de produtos e prestação de serviços.

Pilar Social

Preocupações em torno da pobreza, desigualdade e vulnerabilidade social, respeitando os Direitos Humanos e baseando-se em dados estatísticos que mostram o tamanho da desigualdade que assola o mundo. Todas as questões referentes a inclusão social de gênero, raça, opção sexual, deficiência, educação e idade estão cada vez mais evidentes e é extremamente necessário que se promova um conjunto de meios e ações que combatem a exclusão aos benefícios da vida em sociedade provocadas por essas diferenças, de forma que se ofereçam oportunidades iguais de acesso a bens e serviços a todos.

Pilar Ambiental

Voltado às ameaças ambientais globais, aos danos locais que podem gerar impactos de alta magnitude, as legislações/regulamentações ambientais rígidas que estimulam cada vez mais a competitividade, a Biodiversidade, mudanças climáticas e outros mecanismos relativos a poluição do ar/água, lixo (reciclagem/reuso), gestão de resíduos, ecossistemas, proteção aos recursos naturais, vida selvagem, flora e fauna (principalmente espécies em extinção). O Meio Ambiente não é uma restrição empresarial e pode oferecer oportunidades para as empresas, entretanto é preciso estar muito atento a todos esses aspectos.

Geralmente há um padrão linear de produção, consumo e descarte, e isso requer atenções em torno desses processos (do início ao fim). As empresas buscam um ciclo de vida maior para seus produtos, aumentando sua cadeia de valor e a capacidade natural de se regenerar, sempre de forma a atender às expectativas dos Shareholders (acionistas). É válido também analisar o perfil econômico das empresas e onde elas estão inseridas globalmente (população mais rica consome e polui mais; população mais pobre depende de commodities e desmata mais).

Por isso é importante estimular o engajamento dos Stakeholders da empresa – Clientes, Fornecedores, Governos, ONGs, Comunidade Local, etc., para que seja possível a construção de uma Matriz de Materialidade: avaliação e decisão das partes interessadas VS. importância dos impactos econômicos, ambientais e sociais. Analisam-se esses aspectos quanto a sua ordem de prioridade, combinando competências e conhecimentos (modelos de compartilhamento) para tornar a empresa ambientalmente mais responsável, socialmente mais inclusiva/respeitosa e economicamente mais próspera. Para tal, a reestruturação dos processos de Governança (mais transparentes e participativos) minimiza os riscos e gera as oportunidades necessárias, enaltecendo e justificando o foco no conceito ESG.

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