Relações com Investidores (RI) é o conjunto de atividades que promovem a integração entre o mercado de capitais e a companhia através da comunicação corporativa em uma relação de retroalimentação de informações. É uma responsabilidade estratégica e multidisciplinar da alta administração, destinada a estreitar o relacionamento entre a empresa e os seus investidores, sendo esses atuais ou potenciais, privados ou institucionais.
O termo “RI” descreve o departamento de uma empresa de capital aberto ou que planeja seu IPO, dedicada a lidar com consultas de acionistas e potenciais investidores, bem como outras pessoas que possam estar interessadas nas ações ou na estabilidade financeira de uma empresa.
Cada vez mais, investidores demandam um crescente volume de informações sobre a empresa, pois só se compra o que se conhece muito bem. Portanto, provendo informações de maneira eficaz e eficiente, o RI contribui para a justa precificação do valor de mercado da companhia.
Capaz de integrar a conformidade das leis financeiras, a comunicação, o marketing e os valores mobiliários permitindo a comunicação bidirecional mais eficaz entre a empresa e a comunidade financeira, o RI contribui para uma melhor avaliação da empresa, seu patrimônio e uma valoração mobiliária mais justa e adequada.
Por isso o RI é um departamento essencial em muitas das empresas de médio a grande porte: serve para fornecer ao mercado números mais precisos sobre seus negócios. Isso ajuda pessoas a tomarem melhores decisões sobre a possibilidade de investir ou não.
O mercado de capitais sofisticado e bem regulamentado propicia às companhias condições de captar recursos cada vez mais e a custos mais favoráveis. Devido às regulamentações mais pesadas sobre relatórios financeiros estabelecidas pela Lei Sarbanes-Oxley de 2002, a maioria das empresas de capital aberto possui departamentos dedicados responsáveis por lidar com as relações com investidores para garantir o cumprimento das leis de relatórios. Além disso, os departamentos de RI devem estar cientes das mudanças nos requisitos regulatórios e aconselhar a empresa sobre o que pode e o que não pode ser feito da perspectiva de RP.
Dentre os materiais entregáveis, incluem-se documentos financeiros quantitativos, como relatórios periódicos, mas também informações qualitativas, como o modelo de negócios da empresa e a direção estratégica, fornecendo informações atualizadas sobre as operações da empresa, demonstrações financeiras para acionistas atuais e potenciais, bem como analistas de pesquisa de patrimônio de terceiros. As informações são divulgadas regularmente através do site de RI e/ou por meio de eventos como comunicados à imprensa e reuniões de shareholders.
O departamento de RI também é encarregado de encaminhar informações de importantes partes interessadas da empresa para a gerência, fazendo da comunicação uma via de mão dupla. Quando feito corretamente, isso leva à estabilidade nos preços das ações, pois as expectativas dos acionistas sobre o desempenho são formuladas corretamente em torno das decisões reais tomadas pela administração.
A maneira como o departamento de RI se enquadra na estrutura corporativa de uma empresa reflete as funções/objetivos que a equipe de gerenciamento deseja que a equipe de RI priorize. É necessário que os departamentos de RI sejam totalmente integrados ao departamento de contabilidade, jurídico e equipe de gerenciamento executivo financeiro da empresa. Os profissionais de RI concentram-se na comunidade financeira da empresa, e não em seus clientes comerciais ou no público em geral.
O departamento de RI normalmente se reporta diretamente a Diretoria Financeira (CFO), mas também pode ser visto como um subconjunto do departamento de Relações Públicas de uma empresa. Outros organogramas podem incluí-lo nos departamentos Jurídico ou Contábil, enquanto alguns o têm como departamento autônomo. Além disso, as boas práticas internacionais de Governança Corporativa prezam pela existência do RI.
É de grande responsabilidade coordenar a comunicação entre a alta cúpula de uma empresa e seus acionistas, a liberar informações, lidar com consultas e reuniões, fornecer feedbacks e gerenciamento de crises (financeiras ou não), aconselhando a gerência no intuito de preservar o relacionamento com stakeholders, bem como mitigar qualquer dano ao preço das ações.